Publicado em 27/08/2018 por Solange Argenta

Pacientes com doenças reumatológicas não têm rede de atenção em Pernambuco

Selo InformeO número de pessoas com doenças reumatológicas (DR) em Pernambuco é desconhecido, porém os médicos acreditam que a quantidade desses pacientes aumentou com a epidemia de chikungunya em 2016 e 2017, período no qual a doença atingiu, no estado, mais de 60 mil pessoas (casos notificados). Embora pouco falada, além de fortes dores, inchaço e vermelhidão nas articulações, a chikungunya pode deixar sequelas permanentes como a artrite, que é uma doença reumatológica.

O quadro de sofrimento dos que têm doenças reumatológicas pode ser maior, uma vez que o estado não conta com uma rede de atenção operacionalmente voltada para essas doenças, embora disponha de uma estrutura para isso, como constatou um estudo realizado na Fiocruz Pernambuco. Os problemas vão desde a concentração da assistência médica na Região Metropolitana do Recife (RMR) até a inexistência de uma política para controle das doenças reumatológicas. A pesquisa identificou, ainda, falhas na comunicação entre os três níveis de assistência: atenção básica, média e alta complexidade.

De acordo com o estudo “Rede de atenção à saúde para doenças reumatológicas no estado de Pernambuco”, de autoria da pesquisadora Suélem Barros, 70% dos reumatologistas estão na RMR, provocando a centralização da assistência especializada nessa área. O Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA-SUS) não permite quantificar, detalhadamente, os atendimentos ambulatoriais realizados na área de reumatologia. Só estão disponíveis dados de alguns procedimentos nessa área, que revelam um agrupamento de 41% dessas práticas na capital, de 2010 a 2017.

Nesse mesmo período, 87,15% das internações em reumatologia ocorreram no Recife, cidade onde estão os hospitais de média e alta complexidade – das Clínicas e Oswaldo Cruz - que deveriam receber apenas os casos regulados que não foram solucionados na atenção básica. São nesses dois estabelecimentos de saúde e em seis (Belo Jardim, Afogados da Ingazeira, Serra Talhada, Salgueiro, Garanhuns e Petrolina) de nove unidades pernambucanas de atenção especializadas (UPAE) reguladas pela Secretaria de Saúde do Estado que está concentrado o atendimento regulado pela secretaria estadual de saúde aos portadores de DRs em Pernambuco.

A aglomeração nesses centros de assistência revela outros problemas da rede de atenção às doenças reumatológicas, como: as falhas de comunicação existentes entre os níveis de atenção; a dificuldade da atenção básica de funcionar como coordenadora da assistência e um sistema de regulação voltado apenas para atender às demandas de agendamento. “Na atenção básica, os profissionais têm dificuldade em seguir o protocolo clínico que estabelece o perfil do paciente a ser encaminhado para o serviço especializado. Por sua vez, o serviço especializado não compartilha (como deveria) o cuidado desse paciente com a atenção básica. Isso torna a demanda irreal”, explica Suélem Barros.

Capacitar os profissionais sobre os protocolos clínicos é tarefa das equipes de regulação da assistência que, segundo análise do estudo, restringe sua atuação aos agendamentos de consultas e exames. Um ponto positivo apontado neste quesito foi o fato dos agendamentos serem realizados de forma descentralizada e informatizada pelas regionais de saúde. A exceção são os casos que necessitam de autorização prévia da SES, que respeita as necessidades dos usuários.

A pesquisa também ressalta a dificuldade da atenção básica em ordenar uma rede que oficialmente não existe, embora tenha componentes estruturantes. Outro obstáculo é não conhecer quem são, onde estão e o que apresentam os portadores de DR. “Os pacientes não são notificados e essas doenças não são priorizadas. As doenças reumatológicas são identificadas de forma indireta”, completa Suélem, que desenvolveu o estudo no Doutorado em Saúde Pública da Fiocruz Pernambuco, com orientação do pesquisador Eduardo Freese.

O desconhecimento sobre a população com DR interfere na construção de uma política voltada para essas patologias. “Há necessidade de construção de linha de cuidado na área, que priorize a atenção à saúde integral e interdisciplinar nos três níveis de assistência. O modelo de atendimento ainda é centrado em hospitais e médicos”.

Para a realização desse estudo, a autora entrevistou gestores regionais, coordenadores de atenção básica, coordenadores da central de regulação de macrorregiões e coordenadores da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE), totalizando 15 pessoas. Além disso, foram analisados o Plano Diretor de Regionalização (2011); o Plano Estadual de Saúde (2016/2019); as Portarias nº 4279/2010, nº 483/2014 e nº 1631/2015 e consultados os sistemas de informações ambulatoriais e hospitalares.

 

 

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